Desafio Clínico: Processos de estudo e aprendizagem no médico

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Trata-se de um médico de segundo ano básico às voltas em sua rotação pelas especialidades médicas. Recentemente começou a estudar para preparar-se para o exame para o Diploma of Membership of Royal Colleges of Physicians (MRCP), Parte 1, o qual apresentará em um período de seis meses.

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Ele fez um plano de estudos que requer:
– Estudar durante duas horas a cada noite e oito horas ao dia nos fins de semana (quando não está trabalhando)
– Ler um par de livros de texto extensos diretamente do pirncípio ao fim várias vezes durante os primeiros dois meses.
– Repassar alguns livros de texto, especialmente redigidos para o exame nos seguintes dois meses.
– Colocar o foco em exames passados e perguntas de exames nos últimos dois meses.
1. O candidato fez uma agenda de estudos realista

Não,

Justificativa
Fazer uma agenda de estudos baseada unicamente no tempo disponível frequentemente pode resultar em um estudo ineficaz como consequência de atenção deficiente e escassa motivação. O programa do candidato seria melhor se definisse tarefas diárias e semanais para ser realizadas. Criar tarefas mantém a o foco na atenção e assim aumenta a eficiência da aprendizagem. Manter a motivação é mais fácil utilizando as metas orientadas a tarefas por contraposição às orientadas a horários. Por exemplo, tentar dar resposta a 10 perguntas de múltipla escolha (MCQ) é uma melhor meta que tentar estudar durante uma hora.

Inicialmente, é importante examinar o material a ser abrangido e o tempo que será destinado a estudá-lo. Depois, terá que tentar sundividi-lo em tarefas semanais e diárias, utilizando os primeiros dias ou semanas para saber se o plano é realista ou não, e modificar as metas de forma correspondente.

Também deveriam ser estruturadas as análises frequentes no programa. Revisar o aprendido, antes de ir dormir, e em condições ideais na seguinte manhã, bem como periodicamente com posterioridade. Isto pode ser atingido lendo rapidamente as notas feitas ou dando resposta às MCQ sobre o que foi aprendido. Ao estudar, terá que dar tempo a pequenos blocos de aprendizagem com descansos. O período de estudo ótimo é 20-50 minutos seguidos de um descanso de um mínimo de 10 minutos. O cérebro automaticamente presta mais atenção à aprendizagem realizada ao início e ao final de um período de estudo. Ao intercalar descansos frequentes pode maximizar a quantidade de informação retida.

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O candidato ao diploma foi muito rígido em seu plano e não fez os tempos de descanso para realizar coisas das quais desfruta, de passar tempo com os amigos ou com a família, ou fazer exercício. A maioria das pessoas que ideiam um plano rigoroso sem levar em conta as recompensas ou a relaxação não conseguirão cumpri-lo por muito tempo e carecerão da motivação para fazê-lo de maneira eficaz. No entanto, é bom que o candidato tenha planejado seu estudo durante um marco de tempo adequado, de maneira que possa evitar o estresse de fazer tudo no último momento.

O estresse modifica o equilíbrio dos neurotransmissores no córtex pré-frontal, inativando nossa capacidade para pensar com clareza e ter comportamentos com um propósito e destinados a metas. Esta mudança dificulta muito prestar atenção, organizar nosso pensamento e lembrar que precisamos lembrar, quer dizer, todas as habilidades que desejamos otimizar para a aprendizagem eficiente. Como Daniel Goleman dissse em seu livro O cérebro e a inteligência emocional: novos conceitos (Goleman, 2011), “O estresse nos torna estúpidos”, já que o estresse agudo inativa a parte cognitiva do cérebro que nos permite responder à ameaça de uma maneira instintiva e reflexiva. Os alunos que estão muito estressados, por conseguinte, tentam estudar e produzir trabalho com o cérebro que funciona em um grau de eficiência muito baixo.

O estresse crônico também afeta a estrutura do cérebro, sobretudo as regiões que intervêm na cognição e na aprendizagem. Por exemplo, aqueles que estiveram deprimidos ou que tiveram sintomas de transtorno por estresse pós-traumático (PTSD) durante muitos anos pelo geral têm um hipocampo menor, o que significa que têm dificuldade para criar memórias, o que incrementa o risco de doença de Alzheimer e demência relacionada à idade. O córtex pré-frontal também é atrofiado devido ao estresse crônico, enquanto que a amídala, a parte do cérebro que detecta a ameaça, aumentará o tamanho. Por conseguinte, quanto mais ansiedade e estresse um indivíduo tiver, ficará mais ansioso ainda.

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Agora já deveria reconhecer quando está com estresse e conhecer suas formas preferidas de relaxar-se. É importante fazer destas atividades parte de seu programa a fim de assegurar-se de que o tempo investido em estudar seja muito eficiente. Levando em conta que os estudos demonstraram que o exercício aeróbico com regularidade melhora a memória nos adultos ao intensificar a formação e a sobrevivência de novos neurônios (Hillman et al, 2008), de maneira que uma caminhada vigorosa durante os descansos do estudo pode ser útil. Seu cérebro ainda está processando informação e conhecimentos mesmo que não esteja estudando ativamente, de maneira que não pense que este é um tempo desperdiçado. Esta “consolidação” da memória ocorre até ao dormir (durante o sono MOR) (Plihal e Born, 1999), de maneira que não terá que cair na armadilha de pensar que é melhor permanecer acordado uma hora depois do habitual para estudar, se isso significar que vai sacrificar uma hora de sono. A falta de sono afeta de maneira adversa a aquisição de novas memórias na memória a longo prazo (tanto no conhecimento procedimental como no declarativo), bem como a capacidade para lembrar as memórias e, portanto, é importante também dormir bem antes do dia do exame.

O sono é importante por múltiplos motivos, sobretudo durante períodos em que está tentando maximizar as capacidades cognitivas. As durações de sono que constantemente são menores de 7 horas em um período de 24 horas são relacionadas a fatores de risco para doenças cardiovasculares e diabetes, depressão, acidente em veículos e em locais de trabalho, problemas de aprendizagem e memória e em geral um aumento da mortalidade (Kreuger e Friedman, 2009).

É interessante que talvez não percebamos nenhuma mudança em nosso desempenho apesar de estarmos inclusive um pouco privados de sono. Os sujeitos em um estudo (Van Dongen et al, 2003) que se submeteram a um programa de sono de 6 horas durante apenas duas semanas mostraram alterações significativas no funcionamento cognitivo. No início relataram que seu desempenho era inferior à média, mas nos dias subsequentes relataram graus de desempenhos bem como capacidades cognitivas normais, apesar do fato de que os testes objetivos demonstraram que seu desempenho continuava deteriorando-se durante o mesmo período. Isto pode ser um motivo de que não consideremos seriamente a privação do sono e de que seja difícil reconhecer seus efeitos em nós.

Conceitos chave:
– Estabelecer metas orientadas a tarefas em vez de metas orientadas a horários.
– Programar descansos, recompensas e exercício com regularidade no plano para estudar.
– Analisar recentemente o material aprendido com regularidade e durante todo o período de aprendizagem.
– Priorizar o sono e outros métodos de relaxação para reduzir o estresse e otimizar a aprendizagem.
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FONTE Medcenter Clinical Case

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Fernando Muterle

Olá, eu sou Fernando Muterle – professor Universitário e também Fundador do “IMCF” . O IMCF foi criado com o objetivo de promover o Networking entre profissionais, estudantes e interessados, com temas pertinentes a saúde e qualidade de vida. Participe, assista as entrevistas e registre a sua opinião.

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