Lorazepam no pré-operatório: há mesmo vantagens no uso?

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As pessoas às vezes tomam medicamentos para aliviar a ansiedade antes de uma cirurgia, mas um novo estudo sugere que essas drogas benzodiazepínicas têm poucos efeitos benéficos e podem até retardar a recuperação após o procedimento.

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Pesquisadores franceses realizaram um ensaio clínico randomizado para avaliar a eficácia da pré-medicação sedativa no perioperatório dos pacientes. Eles estudaram 1.062 pacientes, com menos de 70 anos, internados em cinco hospitais universitários na França, entre janeiro de 2013 e junho de 2014, para a realização de cirurgias com necessidade de anestesia geral. Pacientes neurocirúrgicos, de cirurgias obstétricas, cardíacas ou ambulatoriais foram excluídos. O grupo foi dividido aleatoriamente em três subgrupos, cada um deles recebendo 2,5 mg de lorazepam (nome comercial Ativan), placebo ou não recebendo medicações antes da cirurgia.

Os pacientes preencheram questionários que avaliaram a ansiedade, os níveis de dor e a qualidade do sono antes da cirurgia e um dia após o procedimento (Evaluation du Vécu de l’Anesthésie Generale; EVAN-G), enquanto os pesquisadores registraram o tempo necessário de entubação e ventilação até a recuperação plena do estado de vigília. O estudo foi publicado no The Journal of the American Medical Association (JAMA).

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O lorazepam foi associado à amnésia pós-cirúrgica e a um tempo mais longo de recuperação das capacidades cognitivas. A qualidade do sono foi prejudicada no grupo do lorazepam, mas não nos outros. Os tubos de ventilação foram mantidos em tempos significativamente mais longos no grupo do lorazepam. Os escores de dor não diferiram entre os subgrupos lorazepam e não-medicação, mas houve mais dor no grupo que recebeu o placebo.

O autor do estudo, Dr. Axel Maurice-Szamburski, um anestesista do Timone Hospital, em Marselha, citou pesquisas recentes que mostram que os benzodiazepínicos são amplamente prescritos antes de cirurgias. E disse que, até o momento, os sedativos não foram avaliados do ponto de vista do paciente.

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Os resultados sugerem uma falta de benefícios com o uso rotineiro de lorazepam como pré-medicação sedativa em pacientes submetidos a procedimentos com o uso de anestesia geral.

Referências:

The Journal of the American Medical Association (JAMA), de 3 de março de 2015

Fonte: News.med.br

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Fernando Muterle

Olá, eu sou Fernando Muterle – professor Universitário e também Fundador do “IMCF” . O IMCF foi criado com o objetivo de promover o Networking entre profissionais, estudantes e interessados, com temas pertinentes a saúde e qualidade de vida. Participe, assista as entrevistas e registre a sua opinião.

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