Novo conceito: pode-se atrasar a reanimação cardiopulmonar (RCP)?

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A regra geral para o tratamento dos pacientes com parada cardíaca é que uma vez que foram iniciadas as medidas de reanimação, devem ser continuadas de maneira ininterrupta até que o paciente mostre sinais de vida ou seja declarado morto. Um novo estudo demonstrou que no caso específico das vítimas de hipotermia grave, com uma temperatura corporal central inferior a 8°C, a reanimação pode ser atrasada e interrompida periodicamente em intervalos curtos durante o deslocamento nas montanhas, sem colocar em perigo a sobrevivência das vítimas.

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O estudo acaba de ser publicado na revista médica Resuscitation e foi realizado por médicos de Resgate de Montanha de Cumbria, do Hospital Glenfield, Leicester, no Reino Unido, EURA na Itália, da Universidade Médica de Innsbruck na Áustria e da Universidade Stanford, na Califórnia, Estados Unidos.

Em zonas distantes e montanhosas os resgatistas são frequentemente confrontados com a situação de que a reanimação ininterrupta simplesmente não é possível durante o deslocamento de pacientes com parada cardíaca para o hospital. Nestes casos, a reanimação cardiopulmonar (RCP) pode ser interrompida no lugar dos fatos ou durante a evacuação.

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No entanto, em anos recentes houve alguns relatórios de casos de vítimas de acidente com hipotermia grave em parada cardíaca nos Alpes que sobreviveram sem nenhum dano permanente, apesar de várias interrupções das compressões torácicas. Os serviços de resgate estiveram procurando o esclarecimento urgente das circunstâncias em que isto é aplicável, já que as recomendações atuais especificam a reanimação ininterrupta em todas as circunstâncias.

Os autores fizeram uma análise da literatura que levou à conclusão de que podem ser feitas interrupções curtas da RCP para os fins de transporte durante a reanimação de pacientes com hipotermia grave. A temperatura corporal baixa conserva o cérebro e lhe permite suportar a parada cardíaca por um período significativamente mais prolongado que a uma temperatura corporal normal.

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Os investigadores analisaram os dados de operações cardíacas e vasculares, já que o fato de aplicar uma redução da temperatura do corpo ao paciente durante a intervenção cirúrgica é uma técnica reconhecida. Sob esta hipotermia profunda provocada, os cirurgiões podem deter brevemente o coração e levar a cabo procedimentos no mesmo ou em vasos grandes próximos do coração, sem incrementar o risco de dano cerebral permanente.

“Realizamos análise de casos exaustivos neste estudo e estendemos o que sabemos das operações cardiovasculares e o aplicamos à hipotermia acidental grave. Com base nos resultados, propomos um protocolo estruturado que permita aos resgatistas e aos médicos de emergência interromper a RCP por períodos definidos em pacientes com hipotermia grave, de maneira que os pacientes possam ser deslocados”, explicou o Dr. Les Gordon.

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Na prática, isto significa que se os pacientes com parada cardíaca gravemente hipotérmicos, com uma temperatura corporal inferior a 28°C precisam de ser evacuados de um terreno difícil e não é possível a reanimação continuada, está justificado alternar cinco minutos de RCP por cinco minutos de deslocamento e continuar este padrão até que possa ser realizada a reanimação contínua. Isto facilita o resgate e o deslocamento do paciente para um hospital com suporte vital extracorpóreo para reaquecimento, sem ter que abandonar as tentativas de reanimação potencialmente salvadoras da vida.

Os resultados do estudo podem ser o primeiro passo em uma mudança de paradigma nas diretrizes de resgate atuais. No curso deste ano, é possível que estas propostas sejam incorporadas nas novas diretrizes emitidas pela Comissão Internacional para o Resgate Alpino (ICAR MEDCOM) e pelo Conselho Europeu de Reanimação (ERC).

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Os autores foram o Dr. Les Gordon de Resgate de Montanha de Cumbria (Reino Unido), o Dr. Peter Paal da Universidade Médica de Innsbruck (Áustria), o Dr. John Ellerton de Resgate de Montanha de Cumbria (Reino Unido), o Dr. Hermann Brugger do Instituto de Medicina de Emergência de Montanha da EURAC (I), o Dr. Giles Peek do Hospital Glenfield em Leicester (Reino Unido) e o Dr. Ken Zafren da Universidade de Stanford (Estados Unidos).

Fonte: Medical News Today

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Fernando Muterle

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