Pílula anticoncepcional causa câncer de colo do útero?

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Essa é uma dúvida relativamente comum já que algumas mulheres associam o uso do hormônio com risco aumentado de câncer. Mas esse raciocínio faz sentido para determinados órgãos como as mamas e endométrio (cavidade do útero) quando usamos hormônios na pré e pós-menopausa, tratamento que deve ser orientado e acompanhado com um médico.

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Os hormônios das pílulas não influenciam na transmissão, infecção e evolução do câncer do colo do útero.
No caso do colo do útero, a resposta correta é não. Não existe relação causal entre o uso de pílula anticoncepcional com o câncer do colo uterino, que é causado pelos HPVs (Vírus do Papiloma Humano).

Existem mais de 120 tipos de HPV, sendo que por volta de 40 deles infectam mais as regiões anogenitais e outras mucosas. São dividimos em alto (oncogênicos) e baixo risco pela capacidade maior ou menor de causar câncer. Os vírus de baixo risco são os responsáveis pelas famosas verrugas genitais ou cristas de galo. Os HPVs são a doença sexualmente transmissível (DST) mais comum.

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Esses vírus penetram na espessura da pele e mucosas, infectando as células da pele, fazendo com que elas produzam novos vírus. Esse mecanismo, em casos de pacientes com predisposição, baixa imunidade e com os vírus de alto risco, pode levar à formação de alterações celulares e evoluir para o câncer.

Outras infecções por vírus, como a Hepatite B e C, também podem levar ao câncer de fígado, por exemplo. Calcula-se que um a cada seis casos de cânceres no mundo é causado por infecções evitáveis e tratáveis. O câncer de colo de útero é um dos maiores exemplos.

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Como o vírus infecta a espessura da pele, ele não penetra na corrente sanguínea e consegue burlar o sistema imunológico. As vacinas contra HPVs são revolucionárias e poderão diminuir em muito os casos de câncer de colo uterino, vagina, vulva, ânus, garganta e outros.

Calcula-se que vacinas contra apenas 2 tipos de vírus oncogênicos possam diminuir cerca de 70% dos casos de câncer do colo uterino, e as mais novas com 7 tipos cerca de 90% dos casos. As vacinas quadrivalentes e nonavalentes protegem contra mais 2 tipos de vírus de baixo risco e diminuem a incidência em 90% das verrugas anogenitais.

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Portanto, os hormônios das pílulas não influenciam na transmissão, infecção e evolução do câncer do colo do útero. Alguns artigos científicos antigos correlacionam a pílula com câncer de colo uterino quando usadas por tempo prolongado, mas é mais provável que quem toma pílula tenha mais risco de exposição e contaminação pelos HPVs por maior número de parceiros novos sem proteção adequada.

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Na verdade, as pacientes que usam pílulas até apresentam um risco menor de alguns cânceres ginecológicos como do endométrio (cavidade do útero) e ovário. Quanto ao risco de câncer de mama, ele aumenta pouco durante o uso da pílula e retorna aos níveis normais após a mulher parar de utilizá-la por mais de cinco a 10 anos.

fonte e méritos Dr. Fabio Laginha GINECOLOGISTA E OBSTETRA – CRM 42141/SP
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Fernando Muterle

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